domingo, 19 de dezembro de 2010

Pipilotti Rist: uma artista de videoinstalações.

Começamos o novo módulo na pós-graduação e nesta unidade, a professora nos passou o texto Destino da arte: arte e cultura no mundo moderno e contemporâneo, de Vera Beatriz Siqueira. E junto com o texto, o seguinte questionamento:

Em seu texto “Destino da arte: arte e cultura no mundo moderno e contemporâneo”, Vera Beatriz Siqueira discute as intrincadas relações que se estabeleceram, desde o século XIX, entre a produção das obras de arte e a produção dos outros objetos, imagens e técnicas que constituem a cultura material. Ao longo daquele período, os conceitos e valores de diferenciação entre a arte e as demais produções vieram se tornando cada vez mais ambíguos. Conceitos até então fundamentais para a definição de arte, como os de representação, autonomia, originalidade e unicidade, parecem ter perdido a força, enquanto conceitos como expressão, apropriação, repetição e efemeridade foram ganhando importância no pensamento e na prática artística do século XX.

Essas transformações se deram à medida que o campo das idéias e das práticas da arte se expandiu e se misturou às linguagens, técnicas e visualidades das diversas práticas culturais. A chamada “ampliação do campo artístico” trouxe, como mostrou a autora, uma maior complexidade às tarefas do juízo crítico e da reflexão sobre o valor artístico, mas nem por isso as tornou menos necessárias. Ao contrário, o questionamento dos conceitos e processos envolvidos no trabalho de arte, a busca por sua articulação histórica e o engajamento perceptivo – tanto de artistas e estudiosos quanto do público interessado – continuam a ser cruciais. Deles depende a manutenção da tensão crítica e produtiva da arte dentro de um sistema cultural que tende ao mercantilismo e à espetacularização.

O texto nos dá inúmeros exemplos de práticas artísticas que exploram esses limites entre o que entendemos ou não como arte. O “Livro de carne” de Artur Barrio, as intervenções urbanas de Gordon Matta-Clark e a “Performance do vazio”, de Yves Klein, são trabalhos que lidam com a impermanência material, a efemeridade do fenômeno artístico. Outro exemplo, estudado no bloco Montagem, é a videoinstalação “O céu e a Terra”, de Bill Viola, que lida com a apropriação artística de produtos e tecnologias da cultura de massa para carregá-los de um sentido subjetivo. Através de uma pesquisa mais ampla a respeito desses quatro artistas na Internet, em livros ou em outros materiais, você poderá conhecer e refletir mais sobre as dimensões crítica e poética de seus trabalhos.

Trazendo essa discussão para práticas artísticas ainda mais recentes, como a fotografia e a videoarte digitais, as instalações multimídia e a arte computacional, podemos levantar questões semelhantes a respeito das suas articulações conceituais, históricas e poéticas. A absorção das tecnologias eletrônicas na arte traz novos vocabulários, ferramentas, lógicas e processos de trabalho que também fazem parte das grandes mudanças em curso na formação de uma rede cultural globalizada. Portanto, as várias modalidades tecnológicas da arte dão continuidade à ampliação do campo artístico. Elas alimentam a complexidade de todas aquelas problematizações que têm marcado a arte desde o século XIX: o tensionamento dos limites entre o que é real ou irreal, sensorial ou intelectual, objetivo ou subjetivo, individual ou coletivo, permanente ou efêmero, arte ou não-arte.

Agora realize uma pesquisa na Internet, em livros ou em outros materiais, e estude exemplos de trabalhos de arte que tenham sido criados com as novas tecnologias eletrônicas. Escolha o trabalho de um artista e procure se informar sobre a sua produção.

No fórum, indique o artista que escolheu e as fontes de sua pesquisa e discuta, a partir desse exemplo, como percebe as relações entre os recursos tecnológicos empregados e o sentido crítico ou poético produzido pelo artista com esses recursos.

A seguir, segue meu artigo para a questão proposta:

Baseado na videoinstalação “O céu e a terra”, de Bill Viola, optei por trazer uma artista da atualidade que brinca com as videoinstalações: Pipilotti Rist. Meu primeiro contato com ela foi no site da Revista Bravo, em outubro do ano passado, por meio deste artigo:
http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/sexo-morangos-videotape-pipilotti-rossi-502704.shtml 

Citando um trecho do artigo: "Suas videoinstalações conseguem furar a barreira da indiferença e proporcionam ao espectador uma experiência singular. Com projeções que tomam paredes inteiras dos espaços expositivos, trilhas sonoras e tons saturados, a artista explora os limites entre o racional e intuitivo, o físico e o psicológico."

Por que a escolhi? Sempre gostei da mistura dos conceitos de arte e tecnologia e as videoinstalações traduzem muito bem esta mistura conceitual. Elas sempre me atraíram como um mero espectador e também como designer. Além de se encaixar perfeitamente nas ideias de expansão das artes e da sua conexão com diferentes técnicas, tema do questionamento proposto neste fórum, assim como, do texto “Destino da arte”, de Vera Beatriz Siqueira.

Esta mistura da arte com a tecnologia nos tempos atuais pode ser comparada com a relação que aconteceu quando do surgimento da fotografia com a pintura, assim como, a polêmica. Acredito que passamos, atualmente, o mesmo dilema quando a fotografia surgiu e trilhou o seu caminho no intuito de ser reconhecida como um campo artístico também. O trabalho da Pipilotti questiona muito estes limites (ou não limites da arte). Sobre a arte, ela cita:

“Arts task is to contribute to evolution, to encourage the mind, to guarantee a detached view of social changes, to conjure up positive energies, to create sensuousness, to reconcile reason and instinct, to research possibilities and to destroy clichés and prejudices.”  (em livre tradução: o objetivo da arte é contribuir para a evolução, para enconrajar a mente, para garantir uma visão destacada das mudanças sociais, para evocar energias positivas, para criar sensualidade, para conciliar razão e instinto, para procurar possibilidades e destruir clichês e preconceitos) 

As instalações em vídeos estão cada vez mais presentes nos campos artísticos. Trago, a seguir, alguns exemplos do uso das videoinstalações nas apresentações de cantores e em shows. Os vídeos ocupam espaços diversos nestes ambientes. Desde a simples participação de fundo a uma participação literal no show, tornando-se praticamente, um elemento-personagem.

Todos nós conhecemos o Cirque Du Soleil e a forma como eles recriaram o circo e junto veio as instalações de vídeo, transformando o pano de fundo das apresentações, onde não tem mais apenas a lona de circo. Entre os artistas e a lona, surge um novo elemento: as video instalações. Para ilustrar, trago o trailler do espetáculo Love, uma parceria do Cirque du Soleil com os Beatles, onde todo o espetáculo é baseado na obra dos Beatles: http://www.youtube.com/watch?v=05VVz6sy7NA 





No show Sticky & Sweet Tour da Madonna, os vídeos passeiam pelo palco. Algo parecido, ela já havia feito em suas turnês anteriores, como na Drowned World Tour, com uma mistura de televisores, tecnologia, luzes e vídeos, dando dinâmica e efeitos, principalmente, na parte inicial do show: http://www.youtube.com/watch?v=kgovJ86Gx7Y


Na Re-invention Tour, os telões se movimentam para lá e pra cá, têm um balé próprio, como o que acontece na abertura do show: http://www.youtube.com/watch?v=NO-ZZGLEi0s


Na Confessions Tour, as videoinstalações estavam no chão também, como podemos observar neste link: http://www.youtube.com/watch?v=x9o12iMBSnE


E na última turnê, Sticky & Sweet Tour, as videoinstalações, além de darem um passeio pelo palco, são partes integrantes do show e fazem dueto com Madonna. Como na apresentação da música 4 Minutes, onde temos Justin Timbarlake cantando e dançando com Madonna. Ela em carne e ele, em vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=FUcr_BbCfQ0


E sem deixar de lado nossos cantores, no Show Dois Quartos, da Ana Carolina, os vídeos também estavam lá presentes, dialogando com a música, com o público: http://www.youtube.com/watch?v=rPqz15bZmSA

Em outras palavras, as videoinstalações cresceram e estão ocupando mais espaços no mundo da arte e ainda veremos muito mais deste campo. E a artista que escolhi, Pipilotti caminha livremente por esta área.

Rist é uma artista sueca que vai mais longe, saindo do espaço de uma caixa ou uma tela plana para projetar suas obras sob os mais diversos e inesperados ambientes. Como ela mesma descreve: "A imagem eletrônica é tão onipresente em nossa vida e sempre a deixamos numa única direção, olhamos sempre para dentro de uma caixa. Nós devíamos libertar esses fantasmas, misturá-los mais com o nosso cotidiano." 





Beatriz fala desta relação da arte com o ambiente, no trecho sobre o “site-specific art”. As videoinstalações de Rist conecta-se sobre o seu ponto de projeção. Em uma de sua obras, Laplamp, de 2006, imagens de plantas são realizadas sobre o colo do espectador. "Podemos usar as luzes, os movimentos do vídeo para nos confortar. Você se senta e coloca as imagens para passear por sua pele, é como alguém te acariciando", ela comenta.

Mas as inovações criativas e tecnológicas de Pipilotti não se limita aos aspectos de projeção, mas expanse-se às temáticas das obras. Em suas obras ela brinca, ironiza, brinca com a emoção e questiona.


Na videoinstalação Ever is Over All, de 1997, a artista está caminhando com uma flor tropical nas mãos e destruindo as janelas dos carros estacionados. O tema que, à primeira vista, parece bobo e violento ganha uma nova conexão quando o vimos. A áurea e a suavidade que o vídeo transmite chega a ser um calmante, e a imagem que poderia ter um aspecto repulsivo, ganha um ar de suavidade. http://www.youtube.com/watch?v=a56RPZ_cbdc


Uma outra característica forte dos trabalhos dela são as cores fortes e bem vivas. Assim como ela se veste no dia-a-dia, ela traz este traço de sua personalidade para as suas obras, ela diz que não tem medo das cores e que os europeus não deveriam temer também: "Por que os europeus têm mais medo das cores do que os brasileiros têm?", ela pergunta durante entrevista cedida à Folha. "Não concorda que as cores estão muito ligadas a emoções?"

Em 2009, ela lançou seu primeiro longa, Pepperminta, sobre a história de uma garota que mora em um arco-íris e seus bichos de estimação são morangos. E nele, encontra-se todas as características de suas videoinstalações. Estão lá a irreverência, as cores fortes, os questionamentos, as ironias. Uma grande mistura. Veja o trailler: http://www.youtube.com/watch?v=vDOX7iVEx6A


São muitas as obras desta artista que mistura arte com tecnologia, ultrapassando os limites da nossa concepção de arte e forçando-nos a liberar nossa mente para uma outra dimensão, mexendo com o nosso psicológico, com o nosso emocional. Vendo os vídeos de suas obras, me lembrei de Duchamp. Ambos buscando ir um pouco além do que esperava-se das artes. Ambos querendo abrir nossas mentes para uma definição diferente do que possa ser arte, nem melhor nem pior, apenas arte. 


Referências Bibliográficas:

  • http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/sexo-morangos-videotape-pipilotti-rossi-502704.shtml
  • http://www.youtube.com/watch?v=a56RPZ_cbdc
  • http://www.hauserwirth.com/artists/25/pipilotti-rist/biography/
  • http://www.pipilottirist.net/
  • http://www.pepperminta.ch/
  • http://www.luhringaugustine.com/artists/pipilotti-rist/#
  • http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u627893.shtml
  • http://www.google.com.br/search?sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=Pipilotti+Rist
  • http://en.wikipedia.org/wiki/Pipilotti_Rist
  • http://www.mansionvitraux.com/blog/index.php/2010/08/videoarte-con-los-cinco-sentidos/
  • http://www.youtube.com/watch?v=VJhgIcbSEeM
  • http://www.youtube.com/watch?v=vDOX7iVEx6A

Red Kisses,

Chris

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