domingo, 10 de outubro de 2010

Bloco Montagem: Vertov, Hausmann e as complexidades

O texto abaixo, eu escrevi para o bloco Montagem da minha pós-graduação em Artes Visuais.


Podemos dizer então que o emprego da montagem permitiu uma passagem histórica entre dois modos de articulação da forma na arte: de um cuja coerência se baseava num referente externo e reconhecível (como seria a garrafa na obra cubista) para outro de coerência estrutural e auto-referente, isto é, baseada nos próprios procedimentos e materiais da obra (como as propriedades dos diferentes metais na obra construtivista). Assim, a montagem colaborou para a liberdade formal e para maiores possibilidades de reinvenção e abertura da estrutura da obra de arte. Isso, por sua vez, culminaria na idéia de uma estrutura transitória, reversível ou modificável, que ganhou força sobretudo a partir dos anos 50.

Dentre as obras vistas neste bloco, considere especialmente a de Raoul Hausmann e a de Dziga Vertov. Reflita sobre como cada uma estabelece articulações próprias entre os seus elementos, envolvendo os espectadores em dinâmicas perceptivas bem complexas.

Discuta com seus colegas algumas semelhanças e diferenças entre as experiências produzidas pela montagem nas duas obras.





ABCD - Raoul Hausmann

Analisar as obras de Hausmann e Vertov é interpretar a realidade que a sociedade da época enfrentava no pós I Guerra Mundial, para entendermos melhor as semelhanças e diferenças entre as obras destes dois artistas. 

Um homem com uma câmera - Dziga Vertov
 O mundo moderno foi caracterizado, principalmente, pela quebra. Os movimentos artísticos da era moderna traziam consigo um desejo de uma nova perspectiva, uma nova visão sobre as coisas, de transgredir e também de recriar. A destruição causada pela guerra, ascendia ainda mais este desejo de inovar, de fazer diferente, de não perder tempo, de ser pró-ativo, de viver. 

E Hausmann e Vertov mostram de forma clara esta aspiração. Em ambas as obras - ABCD e Um Homem com uma Câmera - vemos este desejo incessante por ritmos frenéticos, cortes rápidos.

Hausmann, que fez parte do movimento Fotomontagem, nos anos 20, juntamente com outros representantes como George Groß e John Heartfield, utilizaram a técnica da colagem para manifestar suas aspirações e também para criticar a sociedade da época.

Em ABCD, temos um homem, no caso, o próprio Hausmann, no desejo frenético de querer falar ao mundo tudo que está em sua mente. O aparente caos da obra é apenas uma forma de disfarçar o verdadeiro intuito de gritar a uma sociedade devastada pela guerra que está na hora de PENSAR diferente.

Vertov, sendo parte do movimento Construtivista, também trabalha esta crítica da vida que se aflora no pós-guerra e traz no seu filme Um Homem Com uma Câmera, o olhar sobre o ritmo acelerado das novidades da vida moderna. Ele se utiliza da Montagem para transmitir uma nova linguagem cinematográfica. “Para Vertov, a montagem é a alma do filme, o motor da sua estética e do seu sentido”.

Vertov e Hausmann, por meio de diferentes técnicas - o primeiro por meio do cinema; o segundo, pela fotomontagem - trabalham uma mesma ideia. Um de forma mais dinâmica, o outro, mais estático. Mas em ambos sentimos que a Montagem das peças se revela dinâmica e cheia de vida, de força.

Eles estão conectados diretamente com os movimentos modernos pós-guerra que tinham como elemento principal: transformar, romper, quebrar conceitos e criticar a arte, a sociedade. Entre este movimentos, temos o Dadaísmo. 

Ferro de Passar - Man Ray
Desjejum - Oppenheimer

O Dadaísmo surgiu no pós I Guerra Mundial como forma de criticar a sociedade e cultura ocidental e defendiam o acaso, a desordem, a falta de sentido. E assim, foi com os diversos movimentos artísticos desta época, como o Construtivismo, que conectou o design gráfico à indústria e às causas do proletariado. Surge também o De Stijl que defendia um futuro que deveria rejeitar a extravagância em favor da economia, por meio de formas geométricas e cálculos matemáticos. Entre outros movimentos como a Bauhaus, Neue Typographie e Futurismo. 

Bata nos brancos com a cunha vermelha - Lissitszky
Van Nelle's Gebroken Thee - Jac Jongert
Em um dos meus trabalhos mais recentes, trabalho também com esta ideia da Montagem, de um aparente caos. As imagens abaixo serviram para compor a capa da próxima edição da revista Madonna By Minsane, a ser lançada em breve.



Imagem Final para a Capa


Referencial Teórico:




Design Retrô - 100 anos de design gráfico: Jonathan Raimes e Lakshimi Bhaskaran
Introdução à Arte Moderna e Contemporânea - Glossário Básico : Eduardo Carreira
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Red Kisses,
Chris
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