quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bloco Abstração: Solitude //A Tela

Estamos no bloco Abstração da minha pós-graduação. Neste bloco, passamos por Mondrian, , Herbert Bayer, Paul Klee, Theo van Daesburg, Yves Saint Laurent, Kandisky, László, Man Ray, Maurice Tabard, Iberê Camargo, entre vários outros artistas que foram discutidos no fórum deste bloco. E em todo bloco, como já escrevi aqui zilhões de vezes, tem uma atividade prática.

Em algumas postagens anteriores, já coloquei algumas imagens da tela que pintei para este bloco (aqui e aqui). Agora, trago o descritivo deste projeto, assim como, imagem da tela finalizada.

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Levando em conta tudo o que você viu e aprendeu neste bloco, as reflexões e os debates ocorridos no fórum, exercite a sua compreensão do conceito trabalhado. A seguir estão duas propostas de atividades práticas, escolha uma. Para realizá-la, você pode desenhar, fazer colagens, fotografar, filmar ou utilizar quaisquer outros meios visuais que estejam ao seu alcance.
A apresentação de seu trabalho ocorrerá no próximo encontro presencial do curso.
a) Nas artes visuais, abstrair pode significar a busca pelos traços essenciais de uma forma ou linguagem. Escolha um objeto qualquer e procure abstrair sua aparência. Crie uma imagem abstrata que sintetise a estrutura plástica desse objeto.
b) Faça uma experiência semelhante à de Yves Saint Laurent. Escolha uma das obras abstratas vistas ao longo deste bloco e imagine a apropriação de sua linguagem visual por um objeto de uso corrente. Crie uma imagem que represente esse objeto.
Encontro
“Entardecia
E ele ali sentado
Pensando
Em nada
Em tudo
Nele
Vivendo as coisas boas da vida
O telefone
Ele
O encontro
A dúvida
Sem recusas
A hora
A noite
Apenas a lua como testemunha
A desgraça
O tiro
O ciúme
O inimigo
A morte
E agora?
Os dias passavam
A tristeza
A solidão
A sexta-feira
A derrota
O suicídio
O encontro eterno”
poesia escrita por Libaninho, codinome de Christian de Sousa, há muitos anos, muitos anos mesmo.
Abstrair, ir atrás do essencial, da cor mais pura.
A nova atividade prática foi uma realização de vida. Juntei tantas partes da minha vida e realizei um desejo antigo: o da pintura. Desde o início deste bloco, tinha uma certeza de que a técnica que utilizaria seria a pintura, mesmo sem nunca ter pintado uma tela e muito menos, ter feito um curso de pintura. Peguei umas dicas com o Adriano sobre tintas e pincéis. Fui à Casa das Artes e comprei o material.
Próximo passo, escolher o que pintar. 
Há alguns meses, estava lendo meus poemas que havia escrito quando ainda estava no ensino médio, lá pela oitava série. Entre estes poemas, estava o poema acima. Naquele mesmo dia, na aula de francês, uma imagem me veio à mente quando pensava neste poema e a desenhei no meu caderno de francês. Segue:

Este desenho era a minha representação para o meu poema, sobre a solidão e a tristeza. A imagem de uma pessoa solitária, vagando pelas ruas, solitário. E a imagem ficou guardada no meu caderno. 
Em casa, pensando no que desenhar, no que eu iria abstrair, um sentimento pulsava em mim de que não queria abstrair um objeto. Queria ir mais fundo, eu queria abstrair a alma humana, ir fundo no sentimento humano. Queria reproduzir na minha primeira tela, um sentimento forte e humano e aí, a luz se acendeu e todas as peças se encaixaram: o poema, o desenho, o sentimento. Era isso. Minha entrada no mundo da pintura se daria com a abstração da solidão. E foi assim que nasceu o projeto Solitude (“solidão” em francês).

O Processo
Materiais: tela, tintas acrílicas em várias cores, pincéis, medium gel, lápis.

A criação: primeiramente, pintei a tela com tinta acrílica branca. Depois, rabisquei o desenho sobre a tela branca com lápis preto. Depois, comecei com a tinta preta e então, fui aplicando as cores. A seguir, a tela:



Red Kisses,
Chris
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