segunda-feira, 7 de março de 2011

//Pós-Graduação: Unidade 08/Atividade Prática 11 - Intervenção Urbana


O trabalho da atividade prática da semana foi a criação de um projeto Intervenção Urbana. A seguir, apresento a proposta e logo após, meu trabalho de intervenção:

Os textos de Vera Beatriz Siqueira e Roberto Conduru falam sobre os diferentes modos de inserção crítica que têm caracterizado a arte contemporânea e sua relação com os espaços públicos. Alguns dos aspectos da “ampliação do campo artístico” foram a inclusão de todas as possibilidades de materiais e processos de produção e o fortalecimento da dimensão crítica do trabalho de arte, que passou a envolver os mais diferentes lugares e atividades. O espaço urbano, em especial, se tornou um dos focos principais das ações artísticas na contemporaneidade.

Faça um exercício criativo e reflexivo: proponha um trabalho de intervenção urbana, de caráter temporário, com o emprego de quaisquer recursos ou linguagens.

Tome como foco de seu trabalho uma área que seja característica da cidade. Sugiro a escolha de um local com as características de uma praça: de grande trânsito de pedestre ou local de encontro, confluência urbana de transeuntes. Escolha um local que conheça, freqüente ou tenha freqüentado.

O que significa esse espaço na cidade?

Reflita sobre as transformações urbanas que afetam ou já afetaram esse lugar, e sobre as interferências humanas que favorecem ou não as funções que ele desempenha, como circulação, lazer, memória, sociabilidade etc.

A partir dessas reflexões, planeje uma ação, uma situação ou a instalação de um objeto provisório para essa praça que provoque a experiência e a reflexão de seus usuários sobre as relações pessoais, institucionais, físicas ou simbólicas que definem o uso e os significados desse espaço público.

Seu trabalho terá como referência um grupo de três a cinco obras, de qualquer linguagem ou campo de criação visual, que você vai pesquisar e selecionar nos materiais do curso, na Internet ou em outras fontes de seu interesse.

Crie sua proposta de intervenção urbana a partir de diálogos com essas obras de referência e prepare a apresentação visual de sua proposta, que ocorrerá no próximo encontro presencial do curso.

Além disso, elabore um texto, com no máximo duas laudas de extensão, que explique a sua proposta e o tipo de experiência ou reflexão que espera provocar nos usuários da praça. Nesse mesmo texto, comente as relações que estabeleceu entre as obras de referência escolhidas e a intervenção urbana proposta.

Envie seu texto.

Antes de começar a escrever sobre o meu projeto de Intervenção Urbana, quero escrever um pouco sobre o conceito do que venha a ser Intervenção Urbana no campo artístico:

“Intervenção Urbana é o termo utilizado para designar os movimentos artísticos relacionados às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. No início, um movimento underground que foi ganhando forma com o decorrer dos tempos e se estruturando. Mais do que marcos espaciais, a intervenção urbana estabelece marcas de corte. Particulariza lugares e, por decupagem, recria paisagens. Existem intervenções urbanas de vários portes, indo desde pequenas inserções através de adesivos (stickers) até grandes instalações artísticas.”[1]
“Intervenção Urbana é um tipo de manifestação artística, geralmente realizada em áreas centrais de grandes cidades. Consiste em uma interação com um objeto artístico previamente existente (um monumento, por exemplo) ou com um espaço público, visando colocar em questão as percepções acerca do objeto artístico. A intervenção artística tem ligações com a arte conceitual e geralmente inclui uma performance. É associada aos Acionismo vienense (Fluxus, Body Art), ao movimento Dada, aos neodadaístas e à arte conceitual. Consiste em um desafio ou, no mínimo, um comentário sobre um objeto (eventualmente, um objeto artístico) preexistente, através de grafites, cartazes, cenas de teatro ao ar livre ou acréscimo de outros elementos plásticos, de forma a modificar o significado ou as expectativas do senso comum, quanto a esse objeto.”[2]

Assim, desenvolver uma obra de intervenção urbana tem muito a ver com o estado de espírito do artista, com seus valores, crenças e seus incômodos. Intervir sobre algo se faz necessário quando percebemos que algo não nos parece correto ou que precisamos chamar a atenção do público para um assunto.

“A intervenção é sempre inusitada, realizada a céu aberto e por ter um caráter crítico, seja do ponto de vista ideológico, político ou social, referindo-se a aspectos da vida nos grandes centros urbanos. Uma poesia embaralhada numa estação de metrô, por exemplo, é um convite para que as pessoas parem sua maratona frenética e dediquem alguns minutos para decifrar aquelas palavras. Mas as intervenções urbanas também podem ter outros alvos, como a marginalização da arte, problemas sociais, ambientais e outros.”[3]

As intervenções são momentâneas e interagem diretamente com o seu público, busca criar uma relação com as pessoas, nas palavras do site Poro: “Intervenções são quase sempre efêmeras. Duram o tempo de uma panfletagem no centro da cidade ou o tempo de uma folha de ouro cair de uma árvore. Duram o tempo do deslocamento do ritmo cotidiano para um ritmo poético, questionador. É possível re-sensibilizar o espaço urbano?

Uma intervenção pode durar o tempo em que a imagem-provocada ficar na memória de quem a viu. Ou o tempo enquanto as histórias de seus desbobramentos forem contadas. Quantas imagens uma intervenção pode gerar? (...) Acreditamos numa arte que crie relações entre as pessoas.”[4]


Quando José Resende, em 2002, criou a obra com vagões de trem velho, que estudamos no bloco Repetição, ele chamou a atenção das pessoas para o problema do lixo urbano. 

E assim, podemos observar em várias outras intervenções urbanas que me serviu como referência para o meu projeto. Veja a seguir, alguns exemplos.

“O projeto de intervenção urbana FunCity propõe a fusão temporária entre arte e arquitetura, fomentando a discussão e a vivência pública dos dois assuntos.

Do ponto de vista da arquitetura, FC resgata o valor do objeto arquitetônico para além do componente trivial da paisagem urbana.


Se os olhos se acostumam e pasteurizam o entorno, observando-o apenas de forma periférica, FC busca atrair - em cores e texturas - o olhar em foco, percebendo o objeto arquitetônico como obra de arte.

Do ponto de vista da arte contemporânea, FC se junta à vertente de divulgação da arte em espaços públicos; fazendo seu papel na deflagração das discussões sobre a aproximação arte/público.” [5]


A seguir, um exemplo de intervenção tendo como assunto a AIDS:


“Para alertar a população brasileira, o Governo Federal inaugurou hoje (Dia Mundial da Luta contra a Aids) uma intervenção na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Durante todo o dia, um jovem ficará dentro de uma bolha transparente, impedido de tocar quem estiver do lado de fora.

Na base da bolha, há uma frase do jornalista e sociólogo Herbert Daniel, que morreu no ano de 1992 em decorrência da aids.

“Há uma coisa dentro de mim, contagiosa e mortal, perigosíssima, chamada vida, lateja como desafio”.

(...)

O tema da campanha: “O Preconceito Isola”, busca a reflexão do público em torno do assunto que é a palavra de ordem do dia.” [6]


Segue mais dois exemplos de intervenção urbana[7] :





Eduardo Srur, “Bikes”, 2007, intervenção urbana na Av. Paulista, SP
Eduardo Srur, “Pets”, 2008, intervenção urbana no rio Tietê, SP





Assim, tendo falado e dado alguns exemplos de Intervenção Urbana, começo a falar sobre o meu projeto.

Uma área em Brasília que sempre me incomodou, foi a área ao redor do Museu Nacional. Antes da construção do Museu e da Biblioteca, no espaço próximo a Rodoviária do Plano Piloto, o que havia era uma área verde onde habitava o antigo Circo Voador. Após a construção dos dois novos espaços, a área verde sumiu, indo totalmente de encontro aos valores ambientais. O projeto arquitetônico criado por Oscar Niemeyer não contemplou o espaço verde e ao redor do museu, temos uma imensa praça de concreto com três buracos com água e nenhum verde, nenhum projeto paisagístico e isto sempre me incomodou, pois torna-se vital que os projetos arquitetônicos estejam cada vez mais conectados com os problemas ambientais e convivam entre si.

Neste intuito, o meu projeto de Intervenção Urbana vem chamar a atenção para esta questão de aliar o desenvolvimento urbano em parceria com as necessidades ambientais. O espaço ao redor do Museu Nacional merecia um projeto paisagístico com árvores, flores, plantas ornamentais que aliasse a moderna arquitetura de Brasília a questão ambiental.

Ao meu projeto, dei o nome de O CONCRETO PODE SER VERDE.


O Que é?

O Projeto consiste em grandes painéis com, no mínimo, 2 metros de altura, com imagens de árvores, expostas ao redor do Museu Nacional, interagindo com o espaço. Junto com os painéis, haveria uma parede com frases demonstrando a importância da conexão da arquitetura com o verde, buscando fazer com que as pessoas reflitam sobre a importância de aliar desenvolvimento com ecologia.

Como?

A arte dos painéis foram criados utilizandos dois softwares: Adobe Illustrator e Photoshop. O estilo escolhido foi de street art e grafitti para dar um caráter mais urbano e contemporâneo. Para a exposição, as artes seriam impresas em acrílico transparente, de forma que as árvores interagissem com o fundo, com o Museu Nacional e assim, pudéssemos conectar o verde com o concreto.

O objetivo é desenvolver 7 painéis que possam ser posicionados ao redor do Museu Nacional e assim alcançar a visão dos pedestres de todos os ângulos. Como podemos observar na imagem a seguir:


 OS PAINÉIS        










Notas de rodapé:
[1] Conceito Extraído do site Interveção Urbana: http://www.intervencaourbana.org/
[2] Conceito Extraído do site Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Intervenção_urbana
[3] Trecho extraído do site Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Intervenção_urbana
[4] Trecho extraído do site Poro: http://poro.redezero.org/poro.html
[5] Trecho extraído do site Fábio Torres: http://fabiotorres.net/index.php/tag/intervencao-urbana/
[6] Trecho extraído do site Advertido: http://adivertido.com/intervecao-urbana-contra-a-aids/
[7] Eduardo Srur, “Bikes”, 2007, intervenção urbana na Av. Paulista, SP; Eduardo Srur, “Pets”, 2008, intervenção urbana no rio Tietê, SP; Imagens extraídas do site Trânsitos: http://transitos.zip.net/arch2008-06-08_2008-06-14.html


REFERENCIAIS TEÓRICOS:

- http://adivertido.com/intervecao-urbana-contra-a-aids/
- http://fabiotorres.net/index.php/tag/intervencao-urbana/
- http://transitos.zip.net/arch2008-06-08_2008-06-14.html
- http://estalo.org/?p=9
- http://www.intervencaourbana.org/
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Intervenção_urbana
- http://poro.redezero.org/azulejos/
- http://poro.redezero.org/video/documentario/
- http://virgulaimagem.redezero.org/categoria/intervencao-urbana/
- http://www.pucsp.br/artecidade/indexp.htm
- http://www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-index.php?page=Grupo+3NOS3
- http://artebrasileira1970.blogspot.com/2007/12/3ns3-operao-x-galeria-1979-interveno.html
- http://artebrasileira1970.blogspot.com/2007/09/3ns3.html
- CD-ROM SENAC, Curso de Especialização em Artes Visuais: Cultura e Criação.


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Red Kisses,

Chris, The Red

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