segunda-feira, 14 de março de 2011

//Pós-Graduação: Questão Individual 06

Questão:

No Módulo I, estudamos as obras incluídas no CD-ROM a partir de suas relações com dez conceitos. Esses conceitos nos ajudaram a perceber alguns aspectos importantes nessas obras, como questões estéticas, vínculos com o contexto histórico e significados culturais, e nos permitiram refletir sobre possíveis relações entre trabalhos bem distintos entre si, como peças de vestuário, pinturas e cadeiras. Mas, como vimos desde o começo do curso, todos os objetos e imagens podem ser experimentados e compreendidos sob inúmeros pontos de vista, portanto podem relacionar-se a conceitos e significados diversos.

Propomos agora que você exercite diferentes possibilidades de interpretação dos conceitos e das obras reunidas no CD-ROM.

Escolha um dos dez conceitos trabalhados ao longo do Módulo I (fragmentação, profusão, movimento, leveza, distorção, montagem, repetição, abstração, geometria ou sinuosidade). Vá ao CD-ROM e, utilizando a ferramenta Espaço de Pesquisa, selecione um grupo de cinco a oito obras que, na sua opinião, também possam ser relacionadas ao conceito escolhido, sem levar em conta as dez obras que já foram associadas a esse conceito no seu respectivo Bloco.

Elabore um texto, com no máximo uma lauda de extensão , sobre as obras que você selecionou, explicando como percebe as relações de cada uma com o conceito escolhido, e envie o texto.


Resposta:

Na realização do meu trabalho prático do Bloco Fragmentação, eu escrevi: “Brincar com o todo, transformando-o em partes, para criar um novo todo”.

Muitas são as obras que vimos no módulo 1 que seguem esta mesma ideia de recriar uma nova identidade a partir de pedaços, resíduos, fragmentos de um todo. Ou ainda, o uso do elemento simples, único para a construção da unidade.
Como veremos a seguir nas obras que escolhi para compor este artigo e exemplificar como os conceitos estudados se interligam.
Primeiramente, no Bloco Movimento, escolhi duas obras que trazem em si o conceito de Fragmentação.

O primeiro é o cartaz criado por Georgii e Vladimir Stenberg, para o filme Um homem com uma câmera, 1929. O dinamismo, movimento e a perspectiva que observamos no cartaz é fruto do uso de fragmentos de imagens, que foram reunidas por meio da técnica de fotomontagem, criando uma nova identidade.

A segunda obra é o readymade de Duchamp, Roda de Bicicleta, 1913. A própria ideia de readymade já traz em si o conceito de Fragmentação. Ao utilizar pedaços de uma bicicleta, conectando-a a um banco de madeira, Marcel não apenas utilizou o conceito de fragmentação, mas trouxe para o valor artístico, objetos que separados não tinham tal valor. 


No Bloco Leveza, escolhi a obra Trenzinho de Mira Schendel, 1966. Pedaços de papel que alinhados um atrás do outro transmitem a ideia de um trem. Os fragmentos que compõem uma imagem, uma ideia. E vai além, pois por ser uma obra não durável, o que ficou foram pedaços da obra nas memórias dos que tiveram a oportunidade de vê-la pessoalmente. 


Do Bloco Abstração, trago a obra de Iberê Camargo, Núcleo em expansão, 1965. A forma como o artista utilizou a pintura para representar esta explosão energética, por meio de fragmentos de pinceladas ou como o próprio texto cita: “a força gestual da pincelada, que faz a tinta pulsar e quase nos tragar em seus turbilhões”. Esta forma de pintura me remete ao conceito de fragmentação, no qual as pinceladas formam uma imagem única,
a imagem de uma expansão.

A obra de Raoul Housmann, “ABCD, retrato do artista”, 1923, do Bloco Montagem é a própria representacão gráfica do conceito de fragmentação. A colagem de várias imagens que forma a identidade do autor. A fragmentação que está diretamente ligada a escola dadaísta e que é um dos conceitos essenciais desse movimento.
Pedaços de vagão de trem transformam-se em uma ideia. A ideia do caos urbano, do que está ao nosso redor e não é visto, transformam o olhar de quem os vê. Pedaços de trem formam um todo. Aqui está a fragmentação na obra sem título, de José Resende, de 2002, que vimos no Bloco Repetição

São os fragmentos que formam a obra Die Erfüllung, 1905-7, de Gustav Klimt, que vimos no Bloco Geometria. Formas, cores, fragmentos. A conexão destes elementos é uma constante nas obras de Klimt e encaixam-se perfeitamente no conceito de Fragmentação, quando pedaços de vários elementos, como elipses, quadrados, triângulos, cores, círculos, entre outros se harmonizam e dão forma às suas obras incríveis. 

Quando Raoul Ubac traz a técnica da solarização à fotografia, ele não apenas distorce a realidade, ele apresenta pedaços desta realidade. É o que observamos na obra “O combate de Pentesiléia”, 1937, estudada no Bloco Profusão. Em sua obra, Ubac nos apresenta uma profusão de formas brilhantes que são apenas fragmentos do objeto retratado.


Por fim, trago a obra de Alberto Giacometti, “Mulher em pé”, 1957, do Bloco Distorção, para concluir as exemplificações de como o conceito de Fragmentação conecta-se aos outros conceitos estudados no módulo 1. 


Na obra em questão, “a matéria degradada, quase sem forma, sem proporção ou equilíbrio”. No meu ponto de vista, Giacometti distorce a forma humana, mostrando-a como ele a vê na realidade. A interpretação do artista para a realidade vivenciada.

Esta simboliza a ideia de uma sociedade fragmentada, de uma sociedade rompida e corrompida pela quebra de valores, da ética e do respeito humano vivenciada
nas duas guerras mundiais.

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Red Kisses,

Chris, The Red

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