domingo, 23 de janeiro de 2011

Artigo: “Arte e modernidade – entre fins e recomeços” por Roberto Conduru

Ano começou e acabou o recesso na pós-graduação. Já estamos a todo vapor e com nova leitura. O texto de discussão da semana foi escrito por Roberto Canduru e se chama: “Arte e modernidade – entre fins e recomeços”. E sobre ele foi o questionamento para discussão:

No texto “Arte e modernidade – entre fins e recomeços”, Roberto Conduru apresenta como uma das condições da arte a estrutura de “jogo”, em que, além do artista e do público, outros agentes e instâncias do sistema cultural e econômico interagem na construção dos significados de uma obra. Existe um complexo processo de significação e valoração do trabalho de arte que não se baseia apenas em dados objetivos, como as técnicas ou os meios empregados na obra: são igualmente determinantes os interesses de forças institucionais, culturais e mercadológicas.
Segundo o autor, a consciência de todas essas forças atuantes na arte é especialmente característica nos artistas desde a década de 1960, quando seus trabalhos se tornaram mais reflexivos e críticos com relação ao chamado “sistema de arte”. Diferentes estratégias artísticas passaram, então, a revelar e a testar os limites desse sistema. Uma delas foi intervir diretamente nos espaços expositivos, muitas vezes identificados com a força das instituições de arte. Tome, por exemplo, a obra “Cortes”, de Carl Andre, estudada no bloco Montagem. Procure refletir sobre a afirmação do autor de que o minimalismo teria se constituído como uma espécie de ação artística, que questionava a função cerceadora do sistema cultural.
A idéia de que a arte seria uma ação é, de fato, central para a arte contemporânea. “Cortes” mostra como os artistas passaram a se interessar cada vez mais por ocupar, modificar ou criar situações temporárias em galerias, museus e outros espaços públicos, em vez de criar objetos autônomos. O trabalho se tornava, portanto, a própria ação realizada naquele lugar, durante o período destinado à fruição pública. Negando o status do objeto (quando a obra “Cortes” é desmontada, sobram apenas tijolos e fotografias) e afirmando o valor da ação e da fruição, os artistas se opunham a valores vigentes, baseados na permanência, na unicidade e em significados instituídos.
O texto menciona trabalhos de outros artistas que funcionam contra a “lógica de domesticação” dos sistemas culturais e econômicos. A intervenção urbana de José Resende, que vimos no bloco Repetição, e a performance “I like America and America likes me” (“Eu gosto da América e a América gosta de mim”), do alemão Joseph Beuys, são duas ações artísticas em lugares públicos que procuraram transformar o “jogo da arte” em diálogos críticos com o público. No primeiro, a ação do artista altera drasticamente a paisagem, abrindo possibilidades de experiência e sentidos imprevistos em um lugar desvalorizado, esquecido. No segundo, o artista se confinou por cinco dias em uma galeria norte-americana junto com um coiote, que é um animal-símbolo dos EUA – uma declarada provocação aos valores do sistema cultural norte-americano. Pesquise mais, na Internet ou em outros materiais, sobre as ações artísticas de Beuys. Aproveite para pesquisar também o trabalho de outros artistas citados, como Richard Serra e Jenny Holzer – duas referências fundamentais para a prática contemporânea da arte como intervenção crítica em contextos públicos, sobretudo urbanos.
Ao longo do século XX a arte aprofundou a sua função crítica com relação aos sistemas de práticas e valores instituídos – sua força poética passou a estar ligada à capacidade de problematizar, questionar e testar esses sistemas.
Considere, agora, a atividade criativa em seu campo profissional. Reflita sobre as forças culturais e econômicas atuantes na produção e na circulação dos objetos e imagens produzidos com essa atividade. De que maneira a criação nesse campo poderia ser uma espécie de ação crítica? Ou seja, como poderia chamar a atenção de seus usuários/clientes para as relações e valorações em que estão envolvidos, nos circuitos da cultura e do consumo? O que seria “promover diálogos críticos” com esse público?
A partir dessas reflexões, dialogue com seus colegas: o que é, do seu ponto de vista, ser reflexivo e crítico na criação profissional?

Como designer e ser criador, todos os dias enfrento um novo desafio, um novo projeto em que o sonho de alguém está sob a minha responsabilidade. Pessoas que confiam no meu talento e buscam, na minha arte, a imagem personificada das suas imaginações. 
Como designer, todos os dias, tenho que estar atento a novas formas, a criar uma arte que seja diferenciada e conquiste os olhos que se pousarem sobre ela. E além disso, como designer, preciso buscar criar algo que tenha uma base, uma história, que seja diferente do que existe, do comum.
O grande dilema de qualquer artista que tenha respeito pelas suas criações e pelo mundo da arte. Fazer da sua arte algo que ultrapasse os limites, os conceitos, que critique, que mude, que faça diferente. A seguir, contarei uma historinha de como a responsabilidade do artista é grande neste meio, e o tanto de variáveis que estão diretamente relacionadas com o que o artista cria.
Em 2009, a Lorena Monjardim entrou em contato comigo, pois eles estavam completamente tristes com o designer com o qual trabalhavam até então. E uma amiga em comum indicou-me para eles. Ela me ligou e já no começo da conversa ela me fala: “olha, eu quero um designer que crie a nova identidade da minha empresa e depois, suma da minha vida”. Isto só para ter uma ideia de como estavam descontentes com o profissional do design. Além da responsabilidade de criar uma nova identidade visual capaz de conquistá-los, eu ainda tinha que reconstruir a imagem do profissional que eles haviam perdido.
Em dezembro daquele mesmo ano, quando já tinha criado a nova identidade visual (aprovadíssima!!!) da Monjardim Noleto Fotografia, ela e o Rafael Noleto me convidaram para uma parceria, na qual eu assumiria a direção de arte dos álbuns de casamentos. Tal convite foi, para mim, um grande presente, pois demonstrava que tinha conseguido. Além de criar a nova identidade visual, recuperei a confiança deles no profissional de design. E isto é algo que nos leva a refletir sobre o nosso papel diante da sociedade, do papel da arte e da criação.
E assim, tem sido ao longos dos anos na história da Arte. Enquanto artistas, estamos conectados com valores, sentimentos, desejos, amores, sonhos, frustrações, derrotas e vitórias. O mundo ao nosso redor conectado às nossas criações e nossas criações conectadas ao mundo a nosso redor. Sempre foi assim e sempre será. E o que tem mudado então?
Bom, ao meu ver, o que tem mudado é a forma como esta conexão tem sido feita, a forma como ela tem evoluído. Até mesmo a forma como vemos a arte. E por mais que os conservadores não gostem da ideia, não há como negar, o computador e a internet foram e são dois grandes atores nesta revolução do mundo da arte.
Roberto Conduro inicia seu texto mencionando estas transformações e citando alguns artistas que fizeram parte destas mudanças. E completaria esta lista com os vários artistas anônimos que eu vejo nos meus passeios diários por sites na Internet. Tem muita gente boa, trabalhos incríveis que graças a esta nova tecnologia, a internet, estas obras tornaram-se acessíveis de uma forma como nunca vista antes. Visito vários sites e participo de várias redes sociais de design e todos os dias me surpreendo com algum trabalho. E gostaria de apresentar alguns aqui:




Floating Mind

E como estes, encontramos muitos na Internet. São os novos atores deste jogo que Conduru tão bem conceitua. E muitos deles estão aí para jogar mesmo, se fazerem ser notados, querem que suas artes questionem e sejam questionadas, provoquem e sejam provocadas. Com a internet, todo mundo é o jogador e é o alvo. Ao mesmo tempo que visito sites de artistas ao redor do mundo, eles visitam os meus. São os museus da nova era.
E não vejo isto com pessimismo, veja como uma explosão da criatividade humana que só tem a engrandecer o campos das artes. Fico imaginando se na época de Leonardo da Vinci, Monet, Dalí, Lautrec, se houvesse internet, se houvesse esta possibilidade de acesso e visualização, quantos outros artistas teriam tido o seu espaço, quantos seriam conhecidos pelas gerações futuras.
Então, não fico questionando o que é arte e o que não é. Acho que este tipo de questionamento é limitante demais. Até mesmo porque nossa história mostra quantos erros foram cometidos quando rotulamos a arte. Acredito que o que deve ser analisado é a forma como determinada obra se porta no tempo e no espaço, que sensações ela proporciona, o que ela aguça. 
Os novos críticos de arte não podem parar no tempo, comparando a arte dos tempos atuais com a do passado. Não há comparação, o que deve ser observado é o papel destas novas obras, destes novos artistas no contexto histórico em que se encontram. E ainda bem que estamos caminhando neste sentido e apreciando a obra em si, o que elas nos questionam, o que elas nos fazem buscar.
Aqui, quero voltar àquela parceria que citei anteriormente, com a Monjardim Noleto Fotografia. Como escrevi, a parceria envolvia eu assumir a direção de arte dos álbuns de casamento e como designer, meu papel diante deste desafio era ultrapassar o entendimento do que é um álbum de casamento. Ele é simplesmente um grupo de fotos reunidas em uma página? Não! Um álbum de casamento é o elemento de uma história que começou quando duas pessoas se conheceram e então, um dia, resolveram juntar as escovas de dentes e celebrar com familiares e amigos, este momento tão importante. Um álbum de casamento é uma mistura de sentimentos, de alegrias, músicas, sonhos. 
E tendo isto em mente, eu não poderia simplesmente reunir fotos em uma página. Era minha obrigação como designer ir além e então, uma nova concepção de álbum foi se formando, um álbum que se transformava de um álbum de casamento para um livro de arte, onde o design digital era um dos elementos integrantes nesta nova concepção.
E isto é questionar, é ser crítico, transformar a nossa criação. Mostrar o valor de cada um de nós, artistas desta nova era. E temos espaço para isso, temos espaço para pessoas talentosas e ainda bem que pessoas talentosas não faltam. E elas se destacam nesta nova era. Elas se destacam.

Red Kisses,
Chris
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