segunda-feira, 31 de maio de 2010

//Pós-Graduação: Introdução



O que é Criação? O que é cultura? Como podemos sintetizar esses conceitos tão amplos e fazer uma relação com as Artes Visuais?

Criação, o ato de criar está ligado feito cordão umbilical àquilo que nos rodeia, mas o interessante é que estas influências sobre o nosso processo criativo não significa, necessariamente, uma conexão com o tempo presente. O ato de criar, nos tempos de hoje, transcende as barreiras do tempo e do espaço e a nossa própria cultura. Os nossos olhos culturais não são apenas moldados pela cultura da nossa região ou país.


Com o advento da era digital, estas barreiras que se perduraram ao longo dos séculos foram se quebrando, é possível criar como se vivéssemos na época medieval ou nos anos 2.500, tudo depende de nosso olho cultural. Mas é impossível separar ‘criação’ de ‘cultura’. Elas se alimentam, a criação traz novos elementos para a nossa cultura e vice-versa.

No texto lido, e pelas nossas próprias percepções, é muito claro o desejo humano de evoluir, de trazer elementos novos ao seu ambiente. Nos séculos passados, a arte e a cultura tinham um aspecto mais regional e a transposição do espaço onde determinado estilo nascia levava alguns anos, até que atingisse uma nova. Hoje, é questão de segundos. Por exemplo, o barroco levou 100 anos para chegar ao Brasil, após o seu nascimento na Europa. O vídeo novo da Christina Aguilera levou segundos para rodar o mundo.


Antigamente, a criação estava intimamente relacionada com o desejo de mudar estilos que estavam ao nosso redor. O gótico veio como um desejo de mudar o estilo anterior que já não agradava aos olhos de alguns artistas. Aí, vieram os artistas clássicos que não gostavam do que estava sendo criado e trouxeram uma nova vertente e assim por diante. O desejo de questionamento destes artistas foi primordial para que a evolução cultural e artística fosse uma constante. E hoje, não se pode dizer que uma escola é melhor que a outra, podemos ter preferências, mas cada uma delas é essencial para o momento que vivemos agora e que viveremos no futuro.

E esta vontade de criar para mudar algo que não gostamos perdura até hoje e é ela que faz com que a chama das artes visuais continue acessa e renovada, pois nós, seres criadores, estamos sempre atrás de inovar, de inventar, e neste processo, o simples ato de dar um novo ponto de vista a algo já criado, é essencial. Criação não é somente quando se faz algo totalmente inovador, nunca visto antes, mas quando se traz uma nova visão sobre algo já criado, pois cada olho criador é único.


Nos anos 20, John Heartfield, George Grosz, entre outros criaram um novo movimento chamado Fotomontagem no intuito de se diferenciarem das colagens cubistas de década de 10. Ou seja, não foi algo novo, mas uma nova visão sobre algo que já existia e, ainda assim, é arte, é criação. Um novo ponto de vista. Um exemplo, uma linha por si só já é uma amostra de arte (ou não, depende do olhar de quem ver, né?), mas ao longo dos anos, artistas utilizaram-se de uma simples linha para transmitir novas expressões, novas ideias e formas.
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É arte? É inovador? É criação?


É arte? É inovador? É criação?


É arte? É inovador? É criação?

Assim, criação, cultura, artes visuais são conceitos que tomaram, ao longo dos anos, dimensões nunca antes imaginadas. Nos forçando a repensar nossos conceitos, nossas percepções sobre o que é criação, qual a minha cultura? É somente o que rodeia, o que me caracteriza como brasileiro? Design digital é arte? Tem pessoas que dizem que não, mas os classicistas também falavam que a arte gótica não era arte, então...

Red Kisses,

Chris ("O que é criação? O que é cultura? O que é arte?")
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