quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Catiti

Trabalho criado para o Bloco Distorção da pós-graduação. A mistura do cubismo, cores fortes e Tarsila.

a) A distorção pode expressar uma visão subjetiva, sentimentos e experiências particulares com relação ao mundo. Crie uma imagem a partir da figura humana, interpretando-a plasticamente segundo a sua própria visão.

“Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.”[1] 


Contra todas as técnicas clássicas, contra toda a perfeição e toda as reproduções. Era este o espírito dos primeiros movimentos da era moderna. A realidade não é perfeita e assim também não deveria ser as suas representações.

Até então, os artistas buscavam a interpretação perfeita das formas e dos corpos. Surgem Picasso, Kandinsky, Dalí, Braque, Matisse e também nossos grandes artistas brasileiros como Tarsila, Anita e Portinari no caminho contrário às tradições clássicas, trazendo às artes, suas percepções íntimas e subjetivas.

O início da era moderna não foi apenas uma mudança de temáticas, mas uma verdadeira revolução que atingiu os mais diversos campos da arte: pintura, fotografia, cinema, esculturas, literatura. 

Neste contexto, a forma humana sofreu as mais diversas transformações. Os novos artistas a retratavam despreocupados com a perfeição. Os cincos quadros ao lado – Abaporu de Tarsila do Amaral, O Homem Amarelo de Anita Mafaltti, Garota Diante do Espelho de Pablo Picasso, Grande Nu de Georges Braque e Os Retirantes de Portinari são exemplos claros desta nova concepção de retratação da forma humana.

E nesta linha, fui pensando no meu trabalho prático para o bloco Distorção. Misturar cubismo, com cores fortes e Tarsila. Como fazer isso? Que recursos utilizar? Técnicas? No primeiro bloco fiz uma instalação. No segundo, um vídeo; no terceiro, uma colagem e no bloco anterior, 4 telas utilizando a arte digital. E o que escolher para este bloco?

Lápis de cor. Sem computador, sem programas, apenas o velho e bom lápis de cor e o papel em branco. E assim tomou forma o projeto Catiti.

Catiti??? De onde surgiu este nome? Antes de desenvolver qualquer trabalho prático, leio bastante referências, entre as várias leituras para este bloco, uma delas foi o Manifesto Antropófago de Oswaldo de Andrade que tem o seguinte trecho de uma outra obra:


 “Catiti Catiti 
 Imara Notiá 
 Notiá Imara 
 Ipeju” [2] 


O processo

Os materiais: para desenvolver esta atividade, escolhi materiais simples: lápis de cor, lápis monolith e spray verniz fosco. Lápis de cor. Sem computador, sem programas, apenas o velho e bom lápis de cor e o papel em branco.

Os passos: primeiro, esbocei com o lápis monolith com inspirações cubistas e Tarsila. Depois, fui pintando com os lápis de cor compondo as cores, misturando a ideia figura-fundo. Pra finalizar, apliquei uma demão de verniz fosco.





Notas:
[1] MANIFESTO ANTROPÓFAGO, OSWALD DE ANDRADE Em Piratininga Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha." (Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.). Fonte: http://www.lumiarte.com/luardeoutono/oswald/manifantropof.html

[2] * "Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em Fulano lembranças de mim", in O Selvagem, de Couto Magalhães.



Red Kisses,

Chris, The Red ("só a antropofagia nos une" - Manifesto Antropófago)
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