domingo, 15 de agosto de 2010

Passado, Presente e Futuro

O texto a seguir foi escrito para o Bloco Profusão da minha pós em Artes Visuais, baseado no texto Moda e Figurino, de Dario Caldas, para responder a questão abaixo:

Questão: no texto Moda e figurino, Dario Caldas afirma que os estilistas são antenas aguçadas de seu tempo, capazes de captar desejos, mudanças em curso e visões de futuro. Afinal, os estilistas lidam com uma linguagem estética que está muito próxima do dia-a-dia da maioria das pessoas: a indumentária, que cobre nossos corpos de cores e formas, com a qual exteriorizamos algumas de nossas idéias e atitudes.
Linguagem sensível ao “espírito do tempo”, a moda estabelece diálogos com outras áreas de produção e expressa transformações sócio-culturais, como nos vários exemplos dados pelo autor.
A obra de Giacomo Balla no bloco Movimento, a de Madeleine Vionnet no bloco Leveza, a de Alceu Penna no bloco Fragmentação e a de Christian Lacroix no bloco Profusão também podem ser tomadas sob o ponto de vista da sensibilidade às questões prementes de seu tempo.
Analise o que essas obras tem de continuidade com o passado, afinidade com o presente e projeção de futuro.

No início, Adão e Eva andavam nus pelo paraíso e não havia preocupação com roupas ou moda. Mas aí, Eva comeu da maça e a moda teve o seu primeiro exemplar: uma folha de parreira e nunca mais paramos. Então, surgiu o capitalismo, aconteceu a explosão da moda e a peça de pano que tinha o objetivo inicial de cobrir as ‘vergonhas’ tornou-se símbolo de luxo e de comportamento.


Deixando a brincadeira de lado, o nosso vestuário, atualmente, tomou formas e proporções capazes de alterar o nosso cotidiano e a nossa visão de um pedaço de pano. Como citado no texto Moda e Figurino, de Dario Caldas, “a maneira como nos vestimos informa sobre nós, sobre nossas escolhas” é a mais pura verdade. Um grupo de garotos com roupas pretas dos pés a cabeça, inclusive sobretudos pretos sob o sol escaldante, nos remete imediatamente a uma imagem: eles são góticos. Ou ainda, um grupo de garotos com bermudões coloridos com os mais diferentes temas, em uma cidade litorânea: surfistas.


E junto com esta mudança de comportamento, surgiu um elemento importantíssimo: o estilista ou como é chamado atualmente, fashion designer e junto com eles, grandes e cobiçadas marcas de roupas: D&G, Armani, Versace, Chanel, Dior, Vivienne Westwood, Marc Jacob, Herrera, Alexandre Herchcovitch e muitas, realmente, muitas outras.


Estas personagens levaram a moda para um patamar muito mais alto. Criar uma peça de roupa não era simplesmente criar uma peça bonita para vestir mulheres e homens.
Criar uma peça de roupa vai mais longe, é mais profundo, tem conexão com a arte, com a pintura, a cultura e a história. É revisitar o passado, trazendo algo novo no presente para alterar o futuro. É estar conectado com a música, com o cinema e diversos outros campos.


Em 2003, Christian Lacroix uniu-se a Madonna e fez a união de três artes: moda, fotografia e música. No ensaio para a revista W e fotografado por Steven Klein, Lacroix foi atrás da cultura africana e a moda da época renacentista e criou a roupa abaixo, usada por Madonna neste ensaio. Esta peça de roupa virou ícone e já viajou o mundo em uma exposição de Christian Lacroix:




Em 2004, mais uma vez Lacroix e Madonna se unem e criam uma peça que seria usada por Madonna na Re-Invention Tour. Desta vez, Lacroix reviveu os anos de Maria Antonieta, reinterpretou, reinventou e criou mais uma obra que mistura passado e presente.





Indo mais fundo, obras como de Giacomo Balla e seu figurino para balé futurista, de 1930, foi, com certeza, fator importane na conexão da moda com outros campos da arte. Tal união foi definitiva para a evolução da moda alcançar um novo patamar. Como exemplo, uma das conexões mais lembradas da história da moda, Mondrian e Yves Saint-Laurent. Moda não era mais vestuário, era um conceito, um comportamento, uma conexão entre o passado, o presente e o futuro.


Desde então, vários são os exemplos desta moda que revive outras épocas, trazendo para o presente o que já foi estilo, dando um novo conceito e trazendo algo novo. Todos os anos, nos desfiles de moda de Milão, Paris, NY, São Paulo, Rio de Janeiro entre outros, vemos estas releituras do passado, novos pontos de vistas sobre estilos que fizeram parte do passado e se apresentam com um novo conceito e que farão parte da moda que estará no cotidiano das pessoas no futuro.


Para finalizar este artigo, quero ilustrar como a moda cresceu tanto a ponto de realmente modificar o comportamento das pessoas e como ela ‘invadiu’ outras áreas. A seguir, algumas criações de Christian Lacroix que fogem de tecidos e linhas:






Este é o futuro da moda. O passado e o presente conectados, alterando o futuro e ultrapassando barreiras. Moda não é mais tecidos, linhas e agulhas. É o design do perfume que usamos, do calçado que vestimos, da água que bebemos. Moda é o figurino da novela, do filme, da cantora e da atriz. Como será a moda no futuro? Bem, não sabemos, mas com certeza o passado estará lá. Madeleine Vionnet e Alceu Penna estarão lá, com uma nova visão, um novo elemento. Estarão lá inspirando novos artistas.
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Red Kisses,
Chris
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