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terça-feira, 14 de junho de 2016

//Salve Rainha: Um Grito de Amor, Liberdade e Diversidade

Em maio, estive em Teresina e aproveitei para finalmente conhecer o tão comentado Salve Rainha. Por várias vezes, meu primo Vinícius - que é um dos membros organizadores - me convidou para ir e nunca havia dado certo, mas agora deu e foi uma experiência incrível. Não fazia ideia da dimensão e da profundidade do projeto. Até aquele momento, em minha mente, o Salve Rainha era uma grande festa realizada em algum lugar de Teresina abandonado, como uma forma de revitalizar o espaço.



No entanto, depois de ir ao evento e conversar mais com o meu primo, descobri a grande dimensão que o Salve Rainha tem e sua importância no contexto cultural, social e artístico de Teresina.

Vinny
Como bem define o Vinny: “O Salve Rainha é uma tecnologia social de valorização do Patrimônio Cultural de Teresina. O projeto é realizado coletivamente por pesquisadores de diversas áreas (comunicação, arquitetura, gastronomia, ciências sociais, design e artes) e que em 4 temporadas, vem oportunizando espaço para mais de 400 artistas em uma proposta sustentável, buscando parcerias com os setores público e privado, reutilizando materiais descartados e contando com a colaboração voluntária de artistas e não-artistas para regenerar locais esquecidos, negligenciados e/ou subutilizados.”

O Salve Rainha começou pequeno, com uma proposta despretensiosa de ser um café sobrenatural que surgiu em 2014, na Parada de Cinema, um evento anual com exibição de curtas e longas. No entanto, logo após a Parada, o Junior das Chagas - um dos idealizadores do café - em conjunto com Renata Reis e o Márcio Estrela, tiveram a ideia de um projeto que viesse a ocupar um espaço abandonado de Teresina, mas não apenas com o intuito de revitalizá-lo, mas também mostrar a sociedade teresinense a importância daquele espaço, por meio de arte e cultura. E assim aconteceu o primeiro Salve Rainha, na Praça Ocilio Lagos com instalações, performances, galeria de arte, decoração, música e muito mais. O primeiro aconteceu para um público de quase 200 pessoas e em alguns anos, o evento cresceu e tomou proporções maiores - na edição em que estive presente, de acordo com a polícia, foram quase 10 mil pessoas.





Mas não foi somente em número de participantes que o projeto cresceu. O Salve Rainha tornou-se uma associação que coordena várias ações, não apenas o evento Salve Rainha que acontece em determinado período do ano, mas também trabalhos sociais junto a comunidade, como oficinas e workshops.







O Salve Rainha vai além. Não é apenas um propulsor de arte, cultura e atividades sociais. Ele é um grito de liberdade, como afirma Vinicius:

“Teresina estava precisando de um grito de revolução. Algum movimento que viabilizasse um espaço para pessoas alternativas em geral, para todas as tribos. Um espaço para se lutar pelo direito da mulher, do negro, do homossexual ou simplesmente pelo direito de ser quem é na sua liberdade, na sua essência. O Salve Rainha tornou-se um grito de militância, de resistência. O objetivo é proporcionar uma memória coletiva, uma imersão cultural. Levar arte, cultura, música, mas também ser uma ponte de conexão entre a realidade e o que é novo na arte, cultura, história, e a sociedade. Quebrar tabus e preconceitos e desconstruir conceitos e obrigações de que cada um tem que ser alguma coisa. Quebrar esta necessidade de rótulos e defender a ideia de que cada um pode ser o que quiser naquele momento. Além de proporcionar shows com as melhores bandas do Piauí e tudo de forma gratuita.”

É isto aí. Parabenizo a todos os organizadores por este incrível projeto e que ele cresça de forma a alcançar cada vez mais pessoas e ajude na evolução da humanidade em busca um mundo sem preconceitos. E que outras cidades possam - um dia - terem a experiência de terem um Salve rainha em sua cidade.

Conheça mais: https://www.facebook.com/salverainhacafe






Fotos: Chris, The Red


Red Kisses,
Chris, The Red


segunda-feira, 1 de junho de 2015

//Pôster do Mês: Amor

E no mês do amor, dos namorados, dos amantes, o pôster do mês vem em dose dupla, pois o amor acontece em dobro, ou em triplo, ou em múltiplos, depende de cada um.

A Arte Pecaminosa de Amar

Amor
Amores
Tantos amores
Loucas paixões
quem me incendeiam
que ardem por dentro
Loucos desejos
que me excitam
Loucos amores
que me matam
me sugam a alma
feito vampiros famintos
loucos por sangue
que vagueiam
feito zumbis
nas noites escuras
Meu desejo
Me suga, me coma
faz de mim teu escravo
Faz-me gozar
Faz-me pecar
Leve-me para o mau caminho
Meu fruto proibido
Vem ser meu senhor
Meu amante, meu lorde 
Estou te esperando
Meu amor

(Libaninho)

Os Pôsteres




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Você pode fazer o donwload do pôster em alta resolução CLICANDO AQUI e AQUI.
(tamanho A3 - 29,7 x 42 cm)
Imprima em qualquer gráfica.
Depois, é só tirar uma foto do seu pôster pendurado na sua parede e me enviar.
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You can download the poster in High Resolution CLICK HERE & HERE.
(size A3 - 29,7 x 42 cm)
You can print it in any digital printing office.
Then, take a picture of the poster in your wall and send to me
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Para impressão em tamanhos maiores, entrar em contato por e-mail: christian@christiansousa.com
For bigger sizes, please, send me an e-mail to  christian@christiansousa.com

Red Kisses,

Chris, The Red


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

//Some Words: Far Beyond Breasts




For the past weeks, Madonnas’ breasts have been noticed in many news worldwide. Most part of them are prejudice and stupids. Just a few articles wrote about the beautiful photoshot made to Interview Magazine and not about her breasts. Really? We’re living in the XXI century, guys. It’s so sad to see how the media focus its first attention to the fact of a 56 years old shows her breasts. Madonna has more than 30 years of career and it seems like nobody hasn’t learned anything about her. She is for intelligent people. Her breasts in the photo are for those who don’t see anything further besides breasts. I question if no one hasn’t seen something stronger and with a bigger message in the same picture. Did somebody see the book? I don’t think it’s there for no reason.

When I saw the magazine for the first time in the internet, I really love the vibrant and striking colors, but I didn’t realize what was the message behind the photoshoot. For me, there was something there hidden, it was an uncompleted message. And then, I took more attention in the image above and the book called my attention. I don’t know the reason, if it was the red cover, but I remember I thought: “Why is this book there? What is the intention? Should it really be there or it is just a random element to frame the picture?

The first image was not large enough to read the book title, but when I had the opportunity to see a better image, I found out that it was Cahiers Jean Cocteau 5. I had never heard about him, so, I googled and, for my surprise, what I discovered made me have more certain about the intention of that book in the picture and think it was there for a purpose. Of course, this is my interpretation, only Madonna can say for sure the reason she put that book in the picture, but as a big fan and a curious person, I allowed myself to write my point of view.

But first, let’s know a few things about Jean Cocteau.

He was a French poet, writer, designer, playwright, artist, filmmaker and most important, an innovator and revolutionary. A true representative of Living for Love, owner of a real Rebel Heart. He and his non traditional mind changed the way making theater and poetry, becoming one of the more talented artist of the XX century. A chameleon in the art world and he did all those no hiding his homo(bi)sexuality, writing several articles against homophobia in the beginning of the 1900s. Among his many works, the play The Human Voice caught my attention because I believe it was its story which inspired Madonna and the magazine Interview pictures. It is centered on a single woman, alone on the stage, talking on the phone, about love, loss, joy and pain.

So, returning to my questions, I dare to affirm that Jean Cocteau was the great inspirer to Madonna’s Interview photos, as well as, the play The Human Voice influenced directly the art direction and the book is in that specific image for those who goes deeply in Madonna’s mind and not for those who see the breasts and nothing more. I imagine Madonna telling us: "Maybe, you can think I want to provoke showing my boobs, but you have already seen them before, they are just breasts of a mature woman, don’t pay attention to them, there is something more interesting in this image. It’s a book. Not any book, but of an important writer. Read the biography of this guy who revolutionized and dared to affirm his sexuality and fight against prejudice and did all that in the beginning of XX century. Pay attention in his words and learn. He is a true provocateur. A Rebel Heart".

So, concerning Madonna, remember: "always have something beyond the breasts".

Red Kisses,

Chris, The Red


//Algumas Palavras: Muito Além dos Seios!!!!



Nas últimas semanas, os seios de Madonna foram notícias em vários jornais do mundo todo. A maior parte delas, preconceituosas e burras. Foram poucos, os bons artigos que de fato escreviam sobre o belíssimo ensaio para a revista Interview e não apenas sobre o fato da Madonna estar com os seios de fora, aos 56 anos. Sério? Em pleno século 21, acho lamentável que a grande mídia foque toda a sua atenção aos seios da Madonna. Gente, em trinta anos de carreira, ainda não aprenderam que Madonna é para inteligentes. Os seios de fora são para os que visualizam os seios e neles, param. Será que ninguém se atentou para o fato de que existe um outro elemento nesta imagem, que é muito mais forte e, que para mim, em minha interpretação pessoal, tem uma mensagem maior? Gente, tem um livro na foto e não acredito que esteja lá a toa.

Quando vi o ensaio pela primeira vez, achei belíssimo, com cores fortes e marcantes. Não consegui captar de imediato a mensagem, tinha algo neste ensaio que ainda não estava completo. A peça chave. Então, na imagem acima, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o livro. Talvez pela capa vermelha, não sei. Mas me peguei pensando: “o que este livro está fazendo ali? Qual a intenção? Foi proposital ou apenas um livro qualquer para servir de elemento para a foto?”.

Na primeira foto que vi, não consegui visualizar o título do livro. Esperei por uma foto maior, na qual pude, finalmente, descobrir de qual livro se tratava: Cahiers Jean Cocteau 5. Não conhecia o autor, de forma que fui ao Google para buscar informações sobre ele e lendo a história dele, me surpreendi de tal forma, que poderia até afirmar que, de fato, ele não estava na foto por acidente. Madonna o colocou ali de propósito. Claro que esta é a minha interpretação sobre o porquê do livro fazer parte da imagem. Somente a própria Madonna poderia me dizer o real motivo. Mas como curioso e fã de carteirinha da Rainha do Pop, me permito dar a minha própria interpretação.

Mas antes, preciso falar um pouco sobre o Jean Cocteau.

Jean Cocteau foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, ator, encenador de teatro francês e um grande inovador e revolucionário para a sua época. Um verdadeiro representante do Living for Love, dono de um verdadeiro Rebel Heart. Ele e sua mente nada tradicional transformaram a forma de se fazer teatro e poesia, tornando-se um dos artistas mais talentosos do século XX. Um camaleão no mundo das artes e fez tudo isso, sem esconder sua homo/bissexualidade e, em pleno início dos anos 1900, escreveu diversos artigos contra a homofobia. Entre as várias obras dele, a peça de teatro A Voz Humana, me chamou muito a atenção, pois acredito que foi esta obra que inspirou o ensaio da revista Interview. A peça está centralizada em uma única mulher, sozinha no palco que, ao telefone, fala sobre amor, perda, alegrias e dores.[1]

Voltando aos meus questionamentos. Ouso afirmar que Jean Cocteau foi o grande inspirador deste ensaio, que a obra A Voz Humana tem muito a ver com a direção de arte das imagens e que o livro é elemento presente justamente na foto onde Madonna mostra os seios para aqueles que entendem Madonna e não param nos seios, vão mais profundo. É como se Madonna quisesse afirmar: “você pode achar que estou querendo provocar colocando meus seios de fora, mas você já os viu antes, são apenas seios, os seios de uma mulher madura, não se prenda a eles, tem algo mais interessante nesta imagem. Tem um livro. O livro de um autor importante. Olha a história deste cara que em pleno século XX ousou revolucionar, ousou afirmar sua orientação sexual e condenar a homofobia. Prestem atenção na história dele e aprendam. Ele sim é um provocador. Um Rebel Heart”.

É!!!!! Quando o assunto for Madonna, lembrem-se: “sempre tem algo além dos seios”.

[1] Mais sobre Jean Cocteau pode ser encontrado no site oficial: http://www.jeancocteau.net e na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Cocteau

Red Kisses,

Chris, The Red


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

//Algumas Palavras: Negro Coração Pulsante por Chris, The Red



Mesmo no fim, ainda nos restam as lágrimas do sol. O sol brilhante e quente, que nos queima a pele, intoxica a alma.

Mesmo no fim, ainda nos resta a negritude da lua, que nos escurece o coração.

Mesmo no fim, o negro coração pulsante, há de chorar uma última lágrima.

Mesmo no fim, os últimos cinco segundos de dor, gritam dentro do entorpecido coração.

Mesmo no fim, o negro coração pulsa.


Red Kisses,

Chris, The Red


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

//Algumas Palavras: Coração Pulsante por Chris, The Red



Em meu peito
Bate um coração pulsante
Ele não é uma pedra de gelo
É uma bola de fogo
Que exala calor
Respeito
Carinho
E acima de tudo,
Amor

In my chest 
Lives a beating heart 
He is not an ice rock 
It is a fireball 
That exhales warmth 
Respect 
Affection 
And above all, 
Love

Red Kisses,

Chris, The Red

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

//Com a Palavra: Carlos Drummond de Andrade


"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!"



Red Kisses,

Chris, The Red


segunda-feira, 14 de abril de 2014

//Photo Of The Week: Poetry at the Door

Foto por Chris, The Red em 14 de abril de 2014, São Paulo, SP, Brasil

POETRY AT THE DOOR
por Chris, The Red

Everyday
Everynight
Looking for a place
Finding nowhere
Keep movin'on
A choice? Not really
But it must be done
Hold an illusion
Waiting for a hug
The angel's kiss
Someone to be with
Somebody to look in
To go deeply in my soul
Some day, some how
The end?
Not yet

Red Kisses,

Chris, The Red


sexta-feira, 21 de março de 2014

//Algumas Palavras: And I Feel Like

Um dos melhores álbuns da Madonna está de aniversário: Like a Prayer. Lançado em em 21 de março de 1989, já vendeu mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo. Considerado um marco na carreira da Madonna.  Alcançou o topo da Billboard e ficou 77 semanas na parada. O álbum é retrato musical da vida de Madonna. Grandes sucessos lembrados por todos até hoje, como Like a Prayer, Express Yourself e Cherish.

Em 2009, escrevi um artigo sobre o álbum na revista Madonna by MInsane. Segue o texto na íntegra abaixo. Para ler a revista completa, clique aqui.


4 minutes acabou de ficar para trás, uma voz masculina forte e eletrônica diz: And It feels like, it feels like home. Uma batida começa, mais forte e vai direto em nosso ser, não pede autorização nem quer saber se estamos preparados ou não. Ela já começa com dose de overdose extra em nossos cérebros, rasgando tímpanos e já é tarde pra fugir. 4 minutes foi apenas um aperitivo para o que viria a seguir. Os pés já não encontram o solo, pulando, brigando por espaço; as mãos também não param de socar o ar, como se quisessem mostrar que quem manda ali é aquela batida. Já não há mais fuga, foi só ouvir a primeira batida e ficamos presos por total, o poder nos invadiu.

Yes, I can feel the power, Oh, God. What the fuck is that? É Like a Prayer, um dos maiores sucessos da diva de todos os tempos, que neste ano de 2009 completa 20 anos mostrando que tem muito poder.

O estádio parece que vai vir abaixo com todo mundo pulando ao som da batida eletrizante de Like a Prayer. A música-oração de Madonna mexe com os nossos sentidos e prova que tem força para viver uma eternidade. Que 4 minutes que nada, Like a Prayer é que é o verdadeiro poder de Madonna. 

Há 20 anos, quando o álbum Like a Prayer foi lançado, o mundo se surpreendeu. Não apenas era o melhor álbum de Madonna até então, como também era um álbum maduro, de uma cantora que já não era mais virgem, mas mulher. Uma mulher que cantava a dor e a transformava. A transformava em música. E que buscava entender o mistério da vida e se deixava levar por aquela força interior que chamava pelo seu nome tão fortemente que não tinha como não se deixar envolver. O poder da voz daquela oração era muito forte. 

E não há nada tão forte como uma oração, como a fé que faz montanhas tremerem e se moverem, não há nada tão prazeroso e silencioso como uma oração que traz tudo à superfície e mostra toda a nossa face, todo o nosso coração. Like a Prayer é uma oração da primeira à última faixa, é Madonna pedindo a Ele, Aquele que está nos céus e que tem Nome Santo, pedindo de joelhos a salvação de todos os pecados, buscando a redenção. Buscando respostas e o resgate dos enlaces familiares, sentir-se em casa, a busca constante por sentir-se em casa, de Like a Prayer a Ray of Light (And I(it) feel(s) like a just go (home)).

Como uma oração que vai fundo pra superar todas as tragédias, decepções, dores, tristezas, orgulhos e traz à tona a alegria da vida. A oração que te faz renascer e, dançando sobre o túmulo, a criança retorna e ela já não pode ser machucada, não mais. A oração a fortaleceu, a fez a mulher dona de si, de sua voz iluminada, que se expressa e se faz ser ouvida pela música, pela melodia de quem não quer ser só mais uma voz materialista, vivendo em um mundo materialista e cresceu e hoje é forte. Tão forte que bastam algumas palavras (feels like home) e ela já invade todos que a ouvem. Like a prayer não é um álbum, é uma oração, uma oração de amor, de vida, de escolhas, de perdão e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém.




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Red Kisses,

Chris, The Red


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

//Escritos: Em Mundos Opostos, Encontramo-nos!


Você está certo. Não tem porque complicarmos algo que está bom assim. Eu gosto de você; você de mim. Gostamos da companhia um do outro e é tudo que importa. Ir por aquele outro caminho é perigoso e acabaremos nos machucando e perderemo-nos. Assim está bom. Por agora, é tudo que precisamos.
Pensando melhor, você tem razão. Estamos em tempos distantes. Em fases diferentes, com desejos e aspirações destoantes. Os nossos mundos só se encontram perfeitamente na cama. Nela, somos eu, você e o desejo. Nós e nossos corpos. Fora dela, somos passos que seguem por vias opostas e misturá-las é aspirar pelo caos. 
E não estamos prontos para a loucura caótica dos sentimentos. Para que quebrar o encanto do desejo com as insanidades do coração? A equação está correta. Dois corpos, dois desejos, não cabem dois corações. Vamos deixá-los fora desta matemática perfeita.

Mas lembra quando me perguntou o que eu havia visto em você? Eu vi este homem porra louca, mas doce e sincero. Eu vi um homem de olhar perdido, buscando mudar, reinventar-se, travando uma batalha constante em seu íntimo, com sua alma. Eu vi um homem tentando redenção dos seus pecados. Vi força e beleza. Um coração tão puro, mas reservado, escondido atrás de uma máscara de Baco, perdido em seus bacanais para esconder as próprias dores e angústias.

Eu vi um homem com uma energia interior tão grande, capaz de mudar o mundo ao seu redor, se assim desejar. Mas eu não apenas vi, eu senti. E sentir é perigoso, é imergir em águas ainda não navegadas. O preço pode ser alto e não estamos dispostos a pagá-lo.
 
Você está correto. Para que inventar lágrimas e dores se temos o olhar? Para que complicar, se a simplicidade do seu abraço é perfeita para os meus braços? Vamos aceitar que estes momentos são o que melhor podemos oferecer um ao outro. Assim está bom. Agora, deita aqui e me beija.

Red Kisses,

Chris, The Red


domingo, 20 de outubro de 2013

//Voices of my Mind: Impressive Instant


Não esperava muita coisa daquela noite. Seria uma festa normal, cheia de fãs, mas não esperava nada. Apenas dançar, conhecer pessoas e rever alguns amigos. Então, nossos olhares se cruzaram e só se perderam no final da noite, quando você foi embora. Você estava com seu namorado e eu não estava nem aí. Eu te queria. Queria beijar sua boca, sentir seu corpo junto ao meu, dançar com você. Eu queria você e você me queria. Eu via em seus olhos que não perdiam os meus.
Você me desejava. Queria sentir sua língua em minha boca. Sua mão ao redor do meu corpo, me acariciando. Naquele momento, poderia arrancar sua roupa na pista de dança. Sentir seu corpo nu. Ninguém mais existia naquele lugar. Só eu e você.
E eu te amaria, cada detalhe do seu corpo. Ao som da música, eu te amaria. E eu sei que você não me negaria nada que te pedisse. Eu via em seus olhos.
Profundamente, eu senti que em algum lugar, a gente se amou. Naquela noite, em algum momento, a gente se amou.

I did not expect much more from that night. It would be a normal party, full of fans, but expecting nothing. Just dance, meet people and review some friends. Then our eyes met, and only lost at the end of the night when you went away. You were with your boyfriend and I did not care. I wanted you so deeply. I wanted to kiss your mouth, feel your body next to mine, dance with you. I wanted you and you wanted me back. I saw in your eyes that did not lose mine.
You desired me. I wanted to feel your tongue in my mouth. Your hand around my body, caressing me. At that moment, I could rip your clothes on the dance floor. Feeling your naked body. No one else existed there. Just you and me.
And I’d love you, each part of your body. At the sound of music, I’d loved you. And I know you wouldn’t deny anything that I asked to you. I saw in your eyes.
Deeply, I felt that somewhere, we made love. In that night, at some point, we did.

Conto Extraído do meu livro Voices of my Mind (www.voicesofmymind.com.br)

Red Kisses,
Chris, The Red

sábado, 19 de outubro de 2013

//Escritos: Entre lágrimas, preconceitos e perdão


O que faz uma pessoa feliz? O que traz felicidade? Dizem que perdoar é um caminho para encontrar a tão sonhada felicidade. Mas como perdoar? Como esquecer a dor causada, as lágrimas derramadas, o preconceito sofrido na pele? Como deixar para traz o que a intolerância e a covardia infligiram? Como deixar a tristeza e o rancor para trás? Como esquecer e perdoar?

Você era minha amiga. Em minha mente seria para sempre, uma daquelas amizades que o tempo não apaga, mas fortalece. Uma vez mais, estava errado. O preconceito venceu. Em um mundo onde a intolerância e a covardia vencem todos os dias, uma vitória a mais foi alcançada. Uma amizade perdida e tudo por conta de quem eu escolhi para amar. E não importa o que eu faça para tentar mudar tudo isso, eu fui vencido. O meu amor e a minha amizade foram excluídos. Mais uma batalha perdida. Não posso desistir, mas de onde tirar forças para continuar, para não ser mais infeliz? Onde encontrar o tal caminho que leva a felicidade?

Você não é uma pessoa má, mas por que deixou que o preconceito vencesse, destruir nossa amizade? Não havia escolha a ser feita. Cansei de lutar por você e por nossa amizade, então, fui embora. Não tinha mais forças para lutar. Cansei de sofrer, de ser rejeitado por você. Fui embora. Fugi. Não encontrei paz, mas lágrimas, tristezas e infelicidade. E tudo que eu quero é ser feliz, mas para isso, preciso esquecer a dor e te perdoar. Mas como esquecer? Como ser mais forte que a dor e o preconceito. Elas estão comigo todos os dias.

Tudo foi tão estúpido e banal, mas suficiente para apagar toda uma história. Como manter a esperança em um mundo melhor quando amizades são destruídas pelo simples fato de quem se escolhe para amar?

Mas eu quero esquecer tudo isso e seguir meu caminho, ser feliz e deixar a dor para trás, esquecer e te perdoar. Não quero mais chorar. Eu não errei quando escolhi quem eu iria amar. Mas no seu mundo, quem eu amo tem um peso muito forte e não pode ser diferente daquilo que seu mundo diz como o “certo”. Então, você me excluiu. Eu não me encaixei na perfeição do seu mundo.

Lutei. Tentei mudar a situação, mas fracassei, fui derrotado. Mas para seguir adiante, acho que tenho que te perdoar. Para ser feliz, tenho que deixar a dor, o orgulho ferido, te perdoar e esquecer.

Não quero sua covardia e seu mundo de intolerância em minha vida. Entre lágrimas, esqueço o preconceito e te perdôo. Seja feliz.
Escrito por Chris, The Red

Red Kisses,

Chris, The Red


sexta-feira, 8 de março de 2013

//8 de Março: Dia Internacional da Mulher

O texto abaixo foi extraído do meu TCC da minha pós-graduação em Artes Visuais e Cultura:




Diante de todos estes pontos até agora apresentados, o que busco neste trabalho de conclusão de curso, como designer e artista, é também fazer com que a minha obra tenha seu aspecto questionador, apresente um tema de relevância no contexto histórico atual e, por consequência, seja um agente transformador do mundo.
Além disso, trazer ao futuro público das obras a serem criadas ao final deste trabalho, minha visão sobre este assunto: a luta das mulheres por direitos iguais aos dos homens.
Ao longo dos anos, a luta da mulher pelo seu espaço em uma sociedade essencialmente machista é uma constante. Nos mais diversos campos de atuação,  várias mulheres têm se destacado, tornando-se símbolos desta luta e ícones de várias gerações. No entanto, mesmo depois de anos do início da revolução feminina e de várias conquistas, a mulher ainda luta para ser respeitada e ter direitos iguais ao homem.
De acordo com estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) no relatório The World's Women 2010 - Trends and Statistics14

- Mulheres estão extremamente sub-representadas entre os pesquisadores mundialmente: elas constituem apenas um quarto do total e representam menos da metade de pesquisadores em todas as regiões e em 101 dos 115 países.15

- Poucas mulheres fazem parte dos conselhos científicos: o número de mulheres é ainda pequeno nos níveis mais altos das instituições científicas - incluindo conselhos, financiamento e outros órgãos decisórios. Mulheres têm menos chance de serem escolhidas para os cargos superiores destas instituições, incluindo cargos de influência em conselhos científicos. A proporção de mulheres presidindo conselhos científicos é menor que 50% em todos os 27 países, variando entre 49% na Suécia e 4% em Luxemburgo. Com exceção de 7 países, a proporção é menor que 30%.16

- A proporção de mulheres na força de trabalho está muito longe da paridade em muitas sub-regiões: esta proporção dá uma indicação da extensão do acesso da mulher ao mercado de trabalho em relação aos homens. O valor de 50% indica paridade de gênero. No entanto, a maior parte das regiões estão longe de alcançar esta paridade, porém tem havido progressos na América Latina e no Caribe. Nestas regiões, o aumento da participação das mulheres na força de trabalho, juntamente com uma diminuição correspondente na participação dos homens, levou a um aumento substancial da quota de mulheres. Embora ainda longe de atingir paridade com os homens, as mulheres na América Latina e no Caribe já não estão muito aquém das mulheres em outras regiões. Na América do Sul, as mulheres constituem agora 44% da força de trabalho, em 1990, a porcentagem era de apenas 33%. Na América Central, as mulheres correspondem a 37%.17

- Tipos de ocupações variam consideravelmente entre regiões e entre os sexos: ao longo dos anos, as mulheres têm ocupado várias funções que antes eram delegadas aos homens. Contudo, elas ainda são raramente empregadas em trabalhos com status, poder e autoridade.18

- A disparidade salarial persiste em todos os lugares: as restrições ao acesso de dados e métodos dificultam uma análise global e abrangente das diferenças salariais entre homens e mulheres. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece que os salários das mulheres representam entre 70 e 90 por cento dos salários dos homens na maioria dos países.19 

- Chefes de Estado ou de Governo: poucas mulheres alcançaram o cargo máximo de poder de um governo. se para a primeira posição de poder dentro de seu governo. O número de mulheres chefes de Estado ou de Governo revela que estas posições são ainda imperceptíveis. Apenas sete dos 150 chefes de Estado eleitos no mundo são mulheres, e apenas 11 de 192 governos são chefiados por mulheres. O número de mulheres chefes de Estado ou de Governo em 2009 era de 14, contra 12, em 1995.20

- Mulheres estão expostas a violência física durante toda a sua vida: a violência física contra a mulher durante a sua vida é expressa como uma percentagem de mulheres, em relação ao número total de mulheres, que sofreram, pelo menos uma vez na vida, algum tipo de agressão (geralmente, após os 15 anos de idade). A proporção de mulheres expostas à violência física em sua vida varia de 12% na China, Hong Kong; 13% no Azerbaijão; para cerca de 50% ou mais na Austrália e em Moçambique (48%), República Checa (51%) e Zâmbia (59%).21

Esses dados são apenas uma pequena parte do cenário apresentado pelo relatório. Houve conquistas, mas ainda há muito a ser conquistado. Como declara o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon: 

Muitas conquistas, no sentido de garantir o estatuto de igualdade entre homens e mulheres, têm sido feito em muitas áreas, incluindo, matrícula escolar, saúde e participação econômica. Ao mesmo tempo, muito mais ainda precisa ser feito, em especial, para diminuir as diferenças de gênero na vida pública e para evitar as muitas formas de violência a que as mulheres estão sujeitas.22



O dia 08 de março é um lembrete a todos que atitudes precisam ser mudadas. Que é inconcebível continuarmos vivendo em um mundo onde as mulheres sofrem tanta violência. E então, não precisaremos mais de uma data para lembrarmos do que precisa ser feito, mas para comemorarmos a vitória e uma nova realidade.

Red Kisses,

Chris, The Red

Para ver o TCC completo: http://www.thered.com.br/deconstructingwomen.html


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

//Textos: My Name is Dita


Texto escrito para a edição 2011/2012 da revista Madonna by Minsane, coluna Something to Remember em comemoração aos 20 anos do álbum Erotica, lançado em 1992.


Depois do estrondoso sucesso da música Vogue e da polêmica causada pelo vídeo de Justify My Love, Madonna apresenta sua face mais sexy e voluptuosa, Dita Parlo. É assim que começa a faixa-título de um dos álbuns mais conceituais de Madonna, Erotica.
1992 foi um ano em torno do trio lançado pela rainha do pop que reunia além do álbum, o filme Corpo Em Evidência e o polêmico livro Sex. Como o assunto era sexo, os olhos da mídia miraram toda sua atenção ao livro e ao filme, deixando o álbum Erotica para segundo plano. Este fato acaba por sufocar um de seus melhores trabalhos. Em uma visão superficial, o álbum pode transmitir uma errônea interpretação, envolta de depravação, de sentidos inebriados, mas quando se deixam os véus da polêmica, o que se revela é a arte que procura desvendar os mistérios do amor em todas as suas formas, livre de tabus, além dos preconceitos.

 
Erotica é um convite a descobertas, a navegar nas profundezas da natureza humana. Na faixa Where Life Begins, Madonna canta, “I’d like to direct your attention to something that needs directing to”  (Eu gostaria de direcionar sua atenção para algo que precisa ser direcionado). É Madonna/Dita nos chamando para o que realmente importa em nossas vidas. Nos perdemos na loucura do dia-a-dia e precisamos resgatar o prazer de viver, do valor de amar e ser amado.
O álbum traz uma sonoridade particularmente especial onde Madonna supera e surpreende, marcando um disco único na carreira. Com arranjos complexos, o uso de tons graves, acentuado pelo contrabaixo evidente na maior partes das músicas e com batidas de cadência hipnótica, Erotica é uma obra-prima não só de Madonna, mas de toda sua geração.

 
Destaques para as canções Rain, Deeper and Deeper e Bad Girl. Rain é uma ode ao amor, a espera pelo retorno da pessoa amada em uma doce e suave melodia que transforma a imagem da força feminina em pura sensibilidade e romantismo. Deeper and Deeper foi feita para as pistas de dança, é impossível ficar parado já nos primeiros acordes. Em Bad Girl, a voz crua de Madonna em conjunto com instrumentais pontuados fazem desta faixa uma das mais notáveis do álbum, tendo ganhado um dos melhores vídeos da cantora. O vídeo, quase um curta-metragem, conta a história de uma mulher infeliz em busca de um único beijo de amor. Ia para cama com qualquer homem, percorrendo sua história até encontrar o verdadeiro beijo em seus últimos minutos de vida.  
Erotica pode ser classificado de muitas maneiras: agressivo, transgressor, sensual, voluptuoso, tentador, pecaminoso. Ele pode ser qualquer coisa, menos ignorado. 

Leia a revista na íntegra aqui.


Red Kisses,

Chris, The Red



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

//Algumas Palavras: Das dores às cores. A ira e a ternura de um olhar mestiço.

Meu segundo artigo para a coluna Arte do Pop4Fun é sobre a exposição do pintor equatoriano Guayasamín, em exibição no Museu da República, em Brasília.


Das dores às cores... a ira e a ternura de um olhar mestiço 


“De povo em povo, de cidade em cidade fomos testemunhas da mais intensa miséria: povos de barro preto, de terra preta, com crianças enlameadas de barro preto; homens e mulheres com rostos de pele queimada pelo frio, onde as lágrimas foram congeladas por séculos, até não saberem se eram de sal ou eram de pedra. Música de zampaãs e rondadores que descrevem a imensa solidão sem tempo, sem deuses, sem sol, sem liho. Apenas a lama e o vento”

La Capilla del Hombre
Fragmento escrito por Oswaldo Guayasamín, livro “El tiempo que me ha tocado vivir”

“Autoretrato (1963-65)”
Oswaldo Guayasamín... até hoje, um total estranho no meu universo artístico. Um pintor equatoriano que em suas telas expressa toda sua ira e apresenta as dores de um povo que sofreu com a ambição do próprio homem. A exposição Guayasamín - Continente Mestiço nos apresenta o universo deste pintor cheio de dor que seu povo sofreu. Após a primeira tela, fica impossível não querer ir fundo no mundo de cores tão diversas e contrastantes que este artista nos apresenta, não querer conhecer a história daqueles olhares tão expressivos e cheio de dores e de ira. O olhar de mãe, da mãe angustiada, dolorida. Da mãe terna e cheia de amor.

“Série A Mãe (1969)”
Em exibição no Museu da República, em Brasília, até outubro de 2012, a exposição traz um grande acervo das obras de Guayasamín, são mais de 300 obras entre pinturas, litografias, esculturas, desenhos e esboços. Recomenda-se ir com tempo de pelo menos uma tarde inteira livre para apreciar cada obra e se deixar levar por aqueles olhares angustiantes e cheios de dor, mas também pelos olhares de esperança.

Oswaldo nasceu em Quito, Equador. Graduou-se em Pintura e Escultura pela Escuela de Bellas Artes de Quito. Realizou sua primeira exposição em 1942, aos 23 anos, obtendo todo os principais prêmios nacionais e vários internacionais, como o Gran Premio de la Bienal de España e de São Paulo. Vindo a falecer em março de 1999, aos 79 anos deixando um legado de várias obras entre quadros, murais, esculturas e monumentos.

 “Gravuras, Rabiscos e Desenhos”
Na maior parte das obras apresentadas, o que percebo são traços fortes e expressivos, delineados por formas e  linhas grossas, sob uma forte influência das escolas cubista e expressionista. A exposição traz obras da chamada Era da Ira, quadros fortes que denunciam a violência do homem contra o homem; mas também tem obras da Era da Ternura, pintadas entre 1988 e 1999, como uma homenagem a sua mãe e a todas as mães, símbolos de defesa da vida.

“Mãe e Filho (1982)”
A dualidade ira/ternura está presente em suas obras nas cores que usa. As telas da ira trazem tons monocromáticos, sombrios, em alto contraste com as da ternura que trazem tons vivos e cheios de brilho, mas sem perder o traço forte característico do pintor. A série de litografias é como um sopro de esperança do artista para o seu povo. 

 “Choro, Medo e Ira (1963-65)”
 “Cabeça e mãos em azul (160/175), Cabeça e mão (150/175), Cabeça #3 (140/175) e Dorso Nu (28/175)”
Entre as obras apresentadas, destaco A série Os Desesperados I, Homenagem aos Mártires, a série A Mãe e Lágrimas de Sangue entre as que mais me chamou atenção. Nos quadros da série Os Desesperados, o azul é tão forte e profundo que deixou minha alma em silêncio, como se meu olhar não fosse mais o meu, mas o do artista, o olhar do exato momento em que Guayasamín vivia a experiência de pintar estas telas. As formas orgânicas e distorcidas das telas me comoveram, é uma imagem de dor que só nos restar calar, não diria admirar a obra, mas o povo ali homenageado/sofrido.

“Os Desesperados 1 (1966)”
“Homenagem aos Mártires (1963-65)”

Propositadamente, o que nos é apresentado depois, são esculturas mexicanas, obras sacras como uma forma de nos aliviar a alma e o torpor causado pelas telas da ira, e então, nos é apresentado as litografias cheia de cores e vida e podemos voltar a respirar.

Foi uma grata surpresa conhecer as obras deste artista e aproveito para quem morar em Brasília ou estiver de passagem por lá que visite a exposição e deixe-se envolver pelo olhar mestiço de Guayasamín.

“Lágrimas de Sangue (1973)”



Publicado no site Pop4Fun: clique aqui.
Mais imagens da exposição aqui.

Red Kisses,

Chris, The Red


terça-feira, 4 de setembro de 2012